22 de julho de 2026
Lideranças 3
Desafio das organizações deixou de ser apenas tecnológico e passou a exigir lideranças preparadas para transformar mudanças em resultados, aponta especialista.

Os gestores estão menos engajados no trabalho, e esse movimento passou a influenciar diretamente o desempenho das empresas. A constatação está na edição mais recente do State of the Global Workplace, estudo anual da Gallup sobre o ambiente corporativo. O levantamento mostra que o engajamento global dos trabalhadores caiu para 20% em 2025, o menor nível desde 2020, e atribui boa parte desse recuo à queda registrada entre líderes e gestores. É a primeira vez que o indicador apresenta dois anos consecutivos de retração desde o início da recuperação pós-pandemia.

Para o consultor Rodrigo Précoma, Diretor de Treinamento e Desenvolvimento da Humanii, o cenário revela uma mudança importante na realidade das organizações. Se nos últimos anos o foco esteve na transformação digital e na incorporação de novas tecnologias, agora o desafio passa pela capacidade das lideranças de conduzir pessoas em um ambiente de mudanças cada vez mais rápidas.

“Durante muito tempo, acreditou-se que investir em tecnologia seria suficiente para tornar as empresas mais eficientes. A tecnologia continua sendo essencial, mas ela não produz resultados sozinha. São as lideranças que dão direção às equipes, constroem relações de confiança, desenvolvem pessoas e fazem com que a estratégia saia do papel.”

A própria Gallup aponta que os gestores vêm enfrentando uma combinação de fatores que aumentou a pressão sobre a liderança. Reestruturações organizacionais, equipes maiores, novos modelos de trabalho e a rápida incorporação de tecnologias elevaram o nível de complexidade da função. Nesse contexto, o engajamento dos líderes caiu de forma mais acentuada do que entre os demais profissionais, influenciando o desempenho das equipes.

Na avaliação de Précoma, esse movimento também é percebido dentro das empresas brasileiras. “Muitas organizações modernizaram processos, adotaram novas ferramentas e revisaram seus modelos de negócio. Mas desenvolver líderes exige tempo, investimento e acompanhamento. Quando esse processo não acontece na mesma velocidade das mudanças, o gestor passa a responder por desafios cada vez maiores sem o suporte necessário.”

Essa relação entre liderança e desempenho não é recente. Ao longo de mais de duas décadas, a Gallup reuniu uma das maiores bases de dados sobre comportamento organizacional do mundo, com informações de milhões de trabalhadores distribuídos em milhares de equipes. As análises mostram que ambientes com maior engajamento registram menos absenteísmo, menor incidência de acidentes, redução de falhas de qualidade, maior produtividade e melhores resultados financeiros.

Para Précoma, esses indicadores ajudam a desfazer uma interpretação ainda comum no ambiente corporativo.

“Engajamento não significa que as pessoas estejam satisfeitas o tempo todo. Ele está relacionado à qualidade da experiência de trabalho. Quando o profissional sabe o que se espera dele, recebe feedback consistente, percebe oportunidades de desenvolvimento e confia na liderança, ele tende a contribuir mais para os resultados da organização.”

Na prática, explica o especialista, boa parte desses fatores depende diretamente da atuação dos gestores. “É o líder quem conecta a estratégia ao dia a dia da equipe. É ele quem estabelece prioridades, desenvolve talentos, reconhece resultados e cria um ambiente onde as pessoas conseguem trabalhar com segurança e clareza. Por isso, fortalecer a liderança deixou de ser uma pauta exclusiva da área de Recursos Humanos e passou a ser uma decisão estratégica para o negócio.”

Para o consultor, o dado apresentado pela Gallup representa mais do que uma fotografia do ambiente de trabalho atual. Ele indica uma mudança de foco para empresas que buscam crescimento sustentável.

“As organizações continuarão investindo em tecnologia porque isso faz parte da competitividade. O diferencial estará na capacidade de formar líderes preparados para conduzir pessoas em cenários de transformação contínua. É essa combinação que sustenta resultados consistentes ao longo do tempo”, conclui. 

Kelli Kadanus
41987475491
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