22 de junho de 2026
Vanessa Moschetti, diretora da St. John’s International School
O excesso de telas entre crianças e adolescentes tem gerado debates sobre os impactos da hiperconectividade na saúde emocional, social e no desenvolvimento dos jovens. Dados da TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 92% dos brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet, reforçando o desafio de equilibrar tecnologia e experiências presenciais. Para Vanessa Moschetti, diretora da St. John’s International School, o caminho não é proibir o uso de dispositivos, mas sim oferecer alternativas que estimulem a criatividade, a autonomia e a convivência. Esportes, artes, projetos práticos, clubes multidisciplinares e atividades em grupo ajudam a desenvolver habilidades sociais, inteligência emocional e senso de pertencimento. A especialista destaca que experiências presenciais significativas contribuem para a formação de jovens mais equilibrados, criativos e preparados para os desafios acadêmicos e pessoais.

Esportes, artes, convivência social e projetos práticos ajudam a reduzir a hiperconectividade e favorecem saúde emocional, criatividade e desenvolvimento social entre os jovens

São Paulo, junho de 2026 – O excesso de telas entre crianças e adolescentes tem se tornado uma preocupação crescente entre famílias, educadores e especialistas em desenvolvimento infantil. Celular, redes sociais, vídeos curtos, games e plataformas de streaming fazem parte da rotina das novas gerações, mas o avanço da hiperconectividade também vem levantando discussões sobre impactos emocionais, sociais e comportamentais.

No Brasil, o debate ganhou ainda mais força após a divulgação da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br/NIC.br. O levantamento aponta que 92% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet no país, o que equivale a cerca de 24,6 milhões de jovens conectados. A pesquisa também mostra alta frequência de uso de plataformas digitais: 68% acessam o WhatsApp, 66% utilizam o YouTube, 59% acessam o Instagram e 57% usam o TikTok várias vezes ao dia ou quase diariamente.

Vanessa Moschetti, diretora da St. John’s International School, afirma que o principal desafio atual não é simplesmente proibir o uso da tecnologia, mas criar experiências presenciais que sejam mais atrativas, estimulantes e emocionalmente significativas para crianças e adolescentes.

“Hoje, muitos pais percebem que os filhos estão constantemente conectados, mas, ao mesmo tempo, mais ansiosos, sedentários e com dificuldades de socialização presencial. O caminho não é demonizar a tecnologia, mas criar equilíbrio e oferecer alternativas que despertem interesse genuíno fora das telas”, afirma.

Segundo a especialista, atividades presenciais ajudam no desenvolvimento da autonomia, da criatividade, da inteligência emocional e das habilidades sociais, aspectos cada vez mais importantes tanto para a vida pessoal quanto para a acadêmica.

Confira algumas recomendações da especialista para ajudar crianças e adolescentes a reduzirem o excesso de telas:

Incentivar atividades que gerem pertencimento e interação social

Uma das razões pelas quais as telas se tornam tão atrativas é a sensação constante de estímulo, interação e recompensa rápida. Por isso, as atividades presenciais precisam ser envolventes e socialmente relevantes para os jovens. 

Esportes coletivos, dança, teatro, música, coral, clubes de leitura e atividades em grupo ajudam crianças e adolescentes a criarem vínculos, desenvolverem comunicação e fortalecerem o senso de pertencimento.

“Quando os jovens encontram espaços em que conseguem se expressar, fazer amigos e participar ativamente, o ambiente offline passa a competir de forma mais saudável com o universo digital”, explica Moschetti.

Estimular projetos práticos e atividades ligadas aos interesses dos jovens

Segundo a especialista, adolescentes tendem a se desconectar mais facilmente das telas quando participam de atividades alinhadas aos seus interesses pessoais. Clubes de ciência, robótica, programação, sustentabilidade, empreendedorismo, produção de conteúdo, fotografia e projetos colaborativos costumam despertar maior engajamento porque combinam criatividade, desafios práticos e protagonismo juvenil.

“A nova geração gosta de participar, criar, testar ideias e desenvolver projetos com propósito. Quanto mais ativa for a participação dos estudantes, maior tende a ser o interesse pelas atividades presenciais”, destaca.

Evitar que o celular seja a única forma de entretenimento

Moschetti afirma que muitos jovens acabam recorrendo às telas por falta de opções diversificadas de lazer e convivência fora do ambiente digital.

Passeios culturais, atividades ao ar livre, esportes, jogos de tabuleiro, encontros presenciais com amigos e momentos em família ajudam a ampliar o repertório cultural e reduzir a dependência do entretenimento digital.

“O excesso de telas muitas vezes também está relacionado ao tédio, à falta de convivência presencial e à ausência de experiências mais estimulantes no cotidiano”, comenta.

Criar limites equilibrados para o uso de telas

Especialistas alertam que a tecnologia continuará fazendo parte da rotina acadêmica e social das novas gerações. Por isso, o foco deve estar na construção de hábitos saudáveis e não apenas na proibição.

Evitar telas antes de dormir, estabelecer horários sem celular durante as refeições e os estudos, além de incentivar momentos offline em família, são algumas estratégias recomendadas.

Valorizar atividades artísticas, esportivas e clubes multidisciplinares

Estudos da UNESCO apontam que as atividades artísticas e culturais contribuem para o desenvolvimento da criatividade, da inteligência emocional, da comunicação interpessoal e da colaboração. Já uma revisão publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com base em mais de 3 mil estudos científicos internacionais, identificou benefícios das atividades artísticas para a redução da ansiedade, a melhora da saúde mental e o fortalecimento das habilidades sociais.

Para Moschetti, esportes, música, teatro, dança e artes visuais ajudam crianças e adolescentes a desenvolver equilíbrio emocional, disciplina, autoestima e expressão criativa.

De acordo com a especialista, clubes acadêmicos e atividades multidisciplinares também vêm ganhando espaço como alternativa para estimular habilidades humanas fora do ambiente digital. Na St. John’s International School, por exemplo, estudantes participam de clubes ligados a Medicina e Ciências da Saúde, Comunicação & Marketing, Inovação & STEM e Sustentabilidade Global & Impacto Social, além de atividades como futebol, judô, capoeira, coral, guitarra, banda musical, teatro musical, dança e artes visuais.

“As atividades presenciais ajudam os jovens a construírem relações mais saudáveis consigo mesmos e com os outros. Isso tem impacto direto no desenvolvimento emocional, social e até acadêmico”, conclui.

Sobre a St. John’s

Com 20 anos de trajetória no Brasil, a St. John’s é referência em educação internacional trilíngue, com alunos de 18 meses a 17 anos. A instituição desenvolve metodologia própria com base em padrões acadêmicos britânicos e prepara estudantes para universidades e carreiras globais, aliando rigor acadêmico, formação humanista e visão internacional.

Perfil Vanessa Moschetti

Vanessa Moschetti é graduada em Direito, Pedagogia e Linguística, mestre em Educação Internacional, com extensão em Literatura Britânica. Possui certificações internacionais em língua inglesa, é examinadora licenciada e especialista em desenvolvimento curricular.

Ela é a idealizadora do desenvolvimento do IELS (International English Learning System), um modelo educacional estruturado internacionalmente, criado na Inglaterra e aplicado globalmente. Com forte foco em educação internacional, liderança e inovação, ela lidera a expansão de um modelo acadêmico sistêmico e trilíngue que integra os currículos do IB, de Cambridge e do Poliedro (nacional).

Andréa Agune
1191175-3341
[email protected]

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