5 de agosto de 2026
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Tendências de cibersegurança para 2026.2

 

Oito tendências de cibersegurança que devem dominar o segundo semestre de 2026

Dentre as tendências, CISO da Claranet no Brasil aponta IA agêntica, identidade como perímetro e a corrida pela resiliência regulatória como destaques

São Paulo, 5 de agosto de 2026 – A cibersegurança entra no segundo semestre de 2026 sob algumas pressões relevantes e mais intensas do que se viu até agora: a explosão do uso de Inteligência Artificial agêntica dentro e fora das empresas, a consolidação da identidade como novo perímetro, o amadurecimento regulatório global e um cenário geopolítico volátil são alguns exemplos do que se vê despontar no futuro próximo. Não à toa, o Gartner projeta gastos globais em segurança da informação de US$ 244,2 bilhões em 2026, representando um crescimento de 13,3% em relação a 2025, com destaque para o segmento de Cloud Security (+28,8%) [1][2]. 

A partir de profunda análise deste cenário, Luciano Simão, CISO da Claranet no Brasil, aponta as tendências que devem dominar a agenda dos CISOs brasileiros nos próximos seis meses, com base em relatórios do Gartner, World Economic Forum, IBM X-Force, Forrester e análises setoriais nacionais.

“O segundo semestre de 2026 não será sobre adquirir a ferramenta mais moderna, mas sobre construir maturidade” comenta Luciano Simão, CISO da Claranet no Brasil. “A IA agêntica redefine o conceito de ativo a ser protegido, a identidade se firma como o novo perímetro, a cadeia de suprimentos continua sendo o ponto cego mais explorado e reguladores exigem que a segurança da informação seja tratada como pilar de governança corporativa e não como custo de contenção”, reflete.

1. IA Agêntica: a tendência que atravessa todas as outras – O Gartner elegeu o Agentic AI como o principal trend de 2026. Agentes autônomos vêm sendo criados por colaboradores e desenvolvedores em plataformas no-code/low-code e por meio da prática de vibe coding, em ritmo bem mais acelerado do que a capacidade das áreas de segurança de governá-los. O resultado é a proliferação de agentes não sancionados, código inseguro e riscos concretos de descumprimento regulatório [1][2].

Do lado ofensivo, o Google Threat Intelligence Group documentou, ainda em setembro de 2025, o primeiro ataque em larga escala executado com supervisão humana mínima. Projeções para 2026 apontam que agentes maliciosos poderão realizar exfiltração de dados até 100 vezes mais rápido do que atacantes humanos, tornando obsoletos os playbooks tradicionais de resposta [12].

Para os CISOs, a recomendação é direta: mapear agentes sancionados e não sancionados, aplicar controles específicos para cada categoria e desenvolver playbooks de resposta a incidentes envolvendo IA agêntica. Governança forte é condição inegociável, especialmente diante da LGPD e do futuro Marco Legal da IA no Brasil (PL 2338/2023) [1][11].

2. Identidade como o novo perímetro – Segundo o relatório Q2/2026 da Fidelis Security e o dossiê da Splunk sobre ameaças de 2026, os atacantes deixaram de “arrombar a porta” e passaram a “fazer login”. Ataques de MFA fatigue, roubo de tokens, takeover de contas SaaS e abuso de identidades sobre privilegiadas dominam os primeiros seis meses do ano [5][6].

Como consequência, a proteção deixa de girar em torno de “onde” está o ativo e passa a girar em torno de “quem ou o quê” está tentando acessá-lo. Ferramentas de Identity Threat Detection & Response (ITDR), autenticação contínua, segmentação de acessos e análise comportamental tornam-se diferenciais estratégicos [8].

A movimentação lateral silenciosa entre serviços SaaS, via abuso de tokens OAuth e APIs legítimas, é particularmente perigosa: o comportamento do invasor se confunde com o de um usuário legítimo e as defesas tradicionais de perímetro simplesmente não disparam [5].

3. Cadeia de suprimentos e APIs: a porta dos fundos favorita – O IBM X-Force Threat Intelligence Index 2026 mostra que os incidentes envolvendo cadeia de suprimentos e terceiros quadruplicaram nos últimos cinco anos. Em vez de vencer as defesas de uma organização diretamente, os adversários atacam integrações confiáveis: fornecedores, dependências open-source, workflows de CI/CD e interfaces de nuvem [3].

Em paralelo, a Splunk destaca a ascensão de ataques API-cêntricos, com foco em Broken Object-Level Authorization (BOLA), vazamento de tokens e abuso de endpoints não documentados. As APIs, que sustentam a economia digital, também expõem dados e funcionalidades em escala industrial [5]. No Brasil, a Bit Security aponta APIs e supply chain como os vetores dominantes deste semestre, recomendando revisão de permissões de terceiros e monitoramento contínuo de domínios e APIs expostas [9].

4. Ransomware multi-extorsão e cirúrgico – O ransomware evoluiu para um modelo de tripla extorsão: criptografia dos dados, exfiltração para venda na Dark Web e assédio a clientes, parceiros e órgãos reguladores. Ter backups já não resolve o incidente [5].

No mercado brasileiro, os atacantes agora realizam um mapeamento silencioso e prolongado da infraestrutura da vítima, identificando onde estão os backups e os dados críticos de faturamento antes de disparar a criptografia. O foco migrou para a exfiltração e venda de dados, gerando dano reputacional e multas LGPD mesmo quando a restauração técnica é bem-sucedida [9][10].

Em termos de magnitude, o ransomware continua respondendo por mais da metade dos ciberataques globais registrados, segundo consolidação da EC-Council University e outros dados de mercado [12].

5. Criptografia Pós-Quântica sai do PowerPoint e entra no plano de ação – O Gartner reforça o alerta: os algoritmos assimétricos amplamente utilizados hoje serão considerados inseguros até 2030 devido ao avanço da computação quântica. O risco “harvest now, decrypt later” — coletar hoje, decifrar depois — já é uma realidade operacional, especialmente para dados de longa retenção, como registros de saúde, propriedade intelectual e contratos [1][2].

Para o segundo semestre de 2026, o passo prático é iniciar e/ou acelerar o inventário de sistemas que dependem de criptografia, mapear os dados sensíveis com maior janela de retenção e desenhar um plano gradual de adoção de algoritmos pós-quânticos, priorizando cripto-agilidade [7].

6. Volatilidade regulatória e geopolítica – O World Economic Forum aponta que 91% das organizações com mais de 100 mil colaboradores já ajustaram sua estratégia de segurança em função da volatilidade geopolítica. Reguladores em diferentes jurisdições passaram a responsabilizar diretamente conselhos e executivos por falhas de compliance, com penalidades severas, perda de negócios e dano reputacional irreversível [1][4].

No contexto brasileiro, três movimentos merecem atenção imediata: (i) a intensificação da fiscalização da ANPD e a aplicação mais consistente de multas por descumprimento da LGPD; (ii) o avanço do Marco Legal da IA (PL 2338/2023), que deve estabelecer regras claras sobre responsabilidade, transparência e governança de sistemas de IA; e (iii) a valorização de certificações como ISO 27701 e ISO 42001 como diferenciais competitivos concretos [11].

Um dado do WEF acende um alerta particular para a região: apenas 13% dos líderes da América Latina e Caribe acreditam que seus países estão preparados para proteger infraestrutura crítica, contra 84% no Oriente Médio. Isso reforça a necessidade de investimentos consistentes em resiliência local [4].

7. Convergência TI/TO e sistemas ciberfísicos – A digitalização de máquinas industriais e de dispositivos médicos (IoT e IoMT) expandiu a superfície de ataque para muito além dos endpoints tradicionais. Proteger a Tecnologia Operacional (TO) passa a ser prioridade em setores como saúde, indústria e utilities, com foco em segmentação de rede e visibilidade completa dos dispositivos conectados [9]. Cada sistema físico inteligente adicionado ao ambiente amplia a superfície de ataque, e a segurança de Cyber-Physical Systems (CPS) torna-se, portanto, mission critical [1]. 

8. “Assume Breach” como padrão operacional – Neste segundo semestre de 2026, cresce a adoção da estratégia “Assume Breach” (presumir o comprometimento), baseada na ideia de que nenhuma organização deve partir do pressuposto de que está totalmente protegida contra invasões [7].

Em vez de concentrar esforços apenas na prevenção, as empresas passam a operar considerando que um atacante pode já estar presente no ambiente. Nesse modelo, a prioridade passa a ser detectar rapidamente atividades suspeitas, limitar a propagação do incidente e acelerar a resposta e a recuperação.

Essa mudança fortalece iniciativas como Zero Trust, gestão contínua de exposição e detecção avançada de ameaças, tornando a resiliência um objetivo tão importante quanto a prevenção. Para os CISOs, a questão deixa de ser “como evitar todos os ataques?” e passa a ser “quão rápido conseguimos detectar e conter um comprometimento?”

Simão conclui que para os CISOs essas tendências significam três movimentos claros: “traduzir tendências em roadmap com priorização e métricas; elevar o tema para o board com linguagem de risco de negócio e fortalecer parcerias estratégicas e ecossistema (fornecedores, comunidade e reguladores) para responder a ameaças que já não respeitam fronteiras corporativas”, finaliza.       

Referências

[1] GARTNER. Gartner Identifies the Top Cybersecurity Trends for 2026. Sydney, 5 fev. 2026. Disponível em: https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2026-02-05-gartner-identifies-the-top-cybersecurity-trends-for-2026. Acesso em: 17 jul. 2026.

[2] COLUMBUS, L. Top 6 cybersecurity trends from Gartner’s 2026 Security Forecast. Software Strategies Blog, 10 fev. 2026. Disponível em: https://softwarestrategiesblog.com/2026/02/10/gartner-cybersecurity-trends-2026/. Acesso em: 17 jul. 2026.

[3] AQUINO, J. Cyberthreats in 2026: X-Force and industry experts weigh in. IBM Think, 11 mar. 2026. Disponível em: https://www.ibm.com/think/insights/more-2026-cyberthreat-trends. Acesso em: 17 jul. 2026.

[4] WORLD ECONOMIC FORUM. Global Cybersecurity Outlook 2026: cyber threats to watch. Genebra, 18 fev. 2026. Disponível em: https://www.weforum.org/stories/cybersecurity/2026-cyberthreats-to-watch-and-other-cybersecurity-news/. Acesso em: 17 jul. 2026.

[5] SPLUNK. Top Cybersecurity Threats to Watch in 2026. Disponível em: https://www.splunk.com/en_us/pdfs/outcome-brief/top-cybersecurity-threats-2026.pdf. Acesso em: 17 jul. 2026.

[6] FIDELIS SECURITY. Top Threats & Trends in Cybersecurity for 2026 — Quarter 2. Disponível em: https://fidelissecurity.com/resource/report/top-cyber-threats-trends-2026-q2/. Acesso em: 20 jul. 2026.

[7] SELBETTI TECNOLOGIA. Cibersegurança em 2026: as 7 tendências que vão redefinir o setor. LinkedIn, 8 jan. 2026. Disponível em: https://www.linkedin.com/pulse/ciberseguran%C3%A7a-em-2026-7-tend%C3%AAncias-que-v%C3%A3o-redefinir-o-setor-jidbf/. Acesso em: 20 jul. 2026.

[8] E-TRUST. 7 Tendências em cibersegurança para 2026 e seus impactos. Disponível em: https://www.e-trust.com.br/tendencias-ciberseguranca-2026/. Acesso em: 20 jul. 2026.

[9] BIT SECURITY. Tendências de Cibersegurança para o 2º Semestre de 2026. 12 jun. 2026. Disponível em: https://bitsecurity.solutions/2026/06/12/tendencias-de-ciberseguranca-para-o-2o-semestre-de-2026/. Acesso em: 20 jul. 2026.

[10] STARTI. Tendências de cibersegurança para o 2º semestre de 2026. 13 jul. 2026. Disponível em: https://blog.starti.com.br/tendencias-ciberseguranca-2026-2/. Acesso em: 20 jul. 2026.

[11] BALTUM. As 10 Principais Tendências de Cibersegurança e Compliance em 2026. 18 fev. 2026. Disponível em: https://baltum.org/pt/blog/tendencias-ciberseguranca-2026/. Acesso em: 21 jul. 2026.

[12] BARAN, G. 100+ Cybersecurity Predictions 2026 for Industry Experts as the AI Adapted in the Wild. Cybersecurity News, 25 dez. 2025. Disponível em: https://cybersecuritynews.com/cybersecurity-predictions-2026/. Acesso em: 21 jul. 2026.

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