Congresso realizado em Santa Catarina evitou 8,25 toneladas de CO₂, eliminou quase 8 mil garrafas plásticas e mobilizou 5 mil participantes como agentes ambientais
Em um momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP30 e o setor de eventos já movimentou mais de R$ 25 bilhões no primeiro bimestre de 2026, segundo a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o Data World Xperience (DWX) 2026 foi além do conteúdo e das conexões. O evento se firmou como um exemplo concreto de como grandes encontros podem operar com responsabilidade socioambiental e gerar impacto real.
Realizado em Santa Catarina, o DWX reuniu profissionais de dados, inteligência artificial e inovação e incorporou práticas sustentáveis em toda a operação, da logística de palestrantes ao destino dos materiais utilizados. O resultado foi um conjunto consistente de indicadores que posicionaram o evento entre as referências nacionais em sustentabilidade aplicada.
O setor de eventos diante da agenda climática
A indústria global de eventos ainda carrega um histórico relevante de geração de resíduos e emissões. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) indicam que, desde 1950, apenas 9% de todo o plástico produzido no mundo foi reciclado. Em eventos, grande parte desse consumo está ligada a itens descartáveis.
No Brasil, o cenário reforça esse desafio. O país produz cerca de 100 mil toneladas de copos plásticos por ano, com forte concentração em ambientes corporativos e eventos. Diante disso, cresce a pressão por práticas mais responsáveis, tanto por parte do público quanto de patrocinadores.
Hoje, mais do que um diferencial, a sustentabilidade já começa a se tornar um requisito. Organizadores passam a ser cobrados não só pela experiência entregue, mas também pelo impacto que deixam.
Os resultados do DWX 2026 em números
Os indicadores do evento mostram avanços concretos em três frentes principais:
Impacto direto: 2.700 m² de materiais reaproveitados e 1.100 kg de resíduos que deixaram de ir para aterros
Plástico evitado: 7.820 garrafas eliminadas
Consumo consciente: 3.910 litros de água distribuídos por meio de bebedouros ecológicos
CO₂ evitado: cerca de 8,25 toneladas, com foco em logística inteligente
Água economizada na rede hoteleira: 15 mil litros a menos graças a redução de deslocamentos e estadias dos palestrantes
Potencial de sequestro de carbono: até 40 toneladas em dois anos
Itens sustentáveis distribuídos: 12 mil unidades entre copos, sacolas e lápis com semente
Na prática, esse impacto equivale a retirar cerca de 10 carros das ruas por um ano. Já a água economizada poderia abastecer aproximadamente 100 pessoas por um mês.
Logística inteligente e valorização local
Uma das decisões mais estratégicas do DWX foi priorizar palestrantes da região. Das 64 vozes do evento, 25 eram de Santa Catarina, reduzindo deslocamentos, emissões e consumo de recursos.
Além do ganho ambiental, a escolha fortaleceu o ecossistema local de inovação e ampliou a conexão com a realidade da região.
Economia circular na prática
Outro destaque foi o destino dos materiais de cenografia. Em vez de descarte, o evento direcionou lonas e carpetes para o Instituto Amor Animal, evitando que mais de uma tonelada de resíduos fosse parar em aterros.
A iniciativa reforça um movimento que cresce no setor: tratar sustentabilidade como parte da operação, e não apenas como discurso.
Participantes como parte da solução
Um dos pontos mais interessantes da estratégia foi envolver o público. Os 5 mil participantes receberam lápis com semente de figueira, que podem ser plantados após o evento.
Se todos forem utilizados, o potencial de sequestro chega a até 100 toneladas de CO₂ em dois anos. Mais do que um brinde, a ação cria um elo entre o evento e o dia a dia das pessoas.
Além disso, copos e sacolas reutilizáveis ajudam a incentivar hábitos de consumo mais conscientes fora do ambiente do congresso.
“O DWX nasceu como um evento de dados e tecnologia, mas entendemos desde cedo que o futuro que queremos construir precisa ser sustentável. Cada decisão, dos palestrantes à destinação dos materiais, foi guiada por essa visão. Não queremos apenas ser relevantes para o setor, mas mostrar que é possível gerar impacto positivo real”, afirma Fernando Carvalho, Head de Marketing do DWX.
Sustentabilidade como valor estratégico
O movimento do DWX acompanha uma mudança clara no mercado. A agenda ESG tem ganhado peso na decisão de patrocinadores e expositores, que buscam cada vez mais se associar a iniciativas alinhadas ao impacto social e ambiental.
Nesse cenário, eventos que conseguem mensurar e comunicar seus resultados deixam de apenas realizar encontros e passam a construir valor para marcas, para o público e para o próprio setor.
Aryani Andrade (48) 99915.2532 [email protected]
