A partir de 3 de agosto, sistemas de emissão de documentos fiscais eletrônicos deverão preencher obrigatoriamente os campos referentes à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), marcando uma nova etapa da implementação da Reforma Tributária do consumo.
A exigência faz parte do período de transição que substituirá, gradualmente, cinco tributos atuais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos impostos sobre o consumo.
Embora o recolhimento dos novos tributos ainda esteja em fase de testes, especialistas afirmam que a obrigatoriedade representa um marco importante para as empresas, que precisarão revisar processos internos, atualizar sistemas e garantir maior integração entre as áreas Fiscal, Financeira e de Recursos Humanos.
Segundo Marcio Caixeta, Gerente de Departamento Pessoal da Sólides. a mudança reforça uma tendência que já vinha sendo impulsionada pela digitalização das obrigações legais.
“A Reforma Tributária não altera diretamente a legislação trabalhista, mas aumenta a necessidade de informações consistentes entre diferentes áreas da empresa. Quanto maior a integração dos processos, menor a chance de inconsistências e retrabalho.”, afirma.
Integração passa a ser prioridade
A Reforma Tributária exige que empresas adaptem seus sistemas para uma nova lógica de apuração dos tributos sobre o consumo. Na prática, isso significa que informações fiscais precisarão conversar com dados financeiros e operacionais de maneira cada vez mais integrada.
Esse movimento ocorre em um cenário em que organizações já convivem com softwares de folha de pagamento no eSocial, responsável por reunir informações relacionadas à remuneração, admissões, férias, afastamentos, encargos e demais obrigações trabalhistas.
Para especialistas, essa convergência entre sistemas aumenta a importância da qualidade das informações registradas pelas empresas.
“Hoje, um erro não costuma ficar restrito a um único departamento. Dados inconsistentes podem gerar retrabalho, dificultar o cumprimento das obrigações acessórias e aumentar riscos de conformidade. Por isso, investir em processos integrados deixou de ser apenas uma questão de produtividade”, afirma Caixeta.
Período de adaptação exige revisão de processos
O novo marco da Reforma Tributária não representa apenas uma mudança tecnológica. Empresas também precisarão revisar fluxos internos, atualizar cadastros, capacitar equipes e adequar sistemas para garantir que as novas exigências sejam atendidas corretamente.
Segundo orientações da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, 2026 funciona como um período de transição operacional. Durante essa fase, a CBS e o IBS aparecem destacados nos documentos fiscais, mas a apuração ocorre em caráter informativo, permitindo que empresas ajustem seus processos antes da implementação definitiva do novo modelo.
Na avaliação de especialistas, esse período representa uma oportunidade para fortalecer a governança das informações corporativas e reduzir a dependência de processos manuais.
À medida que a Reforma Tributária avança, a tendência é que a integração entre áreas antes tratadas de forma isolada se torne cada vez mais estratégica. Nesse cenário, soluções capazes de centralizar informações, automatizar rotinas e garantir conformidade legal devem ganhar ainda mais relevância durante a transição para o novo sistema tributário brasileiro.
Alcindo Batista de Almeida 21973053009 [email protected]
