15 de julho de 2026
Lucas Sandrini, CEO Dottatec
A inteligência artificial começa a mudar a forma como alunos estudam em cursos online. Depois de anos em que plataformas EAD funcionaram principalmente como ambientes para videoaulas e materiais complementares, a tecnologia passa a atuar diretamente no acompanhamento do estudante, ajudando na revisão, organização e continuidade dos estudos. Entre os recursos que ganham espaço estão resumos automatizados de aulas, envio de conteúdos pelo WhatsApp, áudios com a voz do professor, flashcards e cronogramas personalizados gerados por IA. A proposta é tornar o estudo menos solitário e mais conectado à rotina do aluno. Segundo a pesquisa TIC Educação 2024, 70% dos alunos do Ensino Médio já utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa em pesquisas escolares, mas apenas 32% dizem ter recebido orientação sobre como usar essas tecnologias. O dado mostra que a IA já faz parte da vida dos estudantes, mas ainda precisa ser integrada de forma mais estruturada ao processo educacional. Para Lucas Sandrini, CEO da Dottatec EAD, empresa brasileira de tecnologia especializada em plataformas para educação a distância, o desafio é transformar o uso espontâneo da IA em uma experiência de aprendizagem organizada. “O aluno já usa inteligência artificial para pesquisar, resumir e tirar dúvidas. A questão é como trazer isso para dentro de uma jornada educacional com conteúdo confiável, acompanhamento e intencionalidade pedagógica”, afirma Sandrini. Apesar do potencial, o uso da IA na educação a distância exige cuidados, como privacidade de dados, revisão humana dos conteúdos gerados, autorização para uso da voz do professor e transparência no uso da tecnologia. A tendência é que o EAD evolua de um modelo baseado apenas em acesso a videoaulas para uma experiência mais inteligente, personalizada e próxima da rotina do estudante. Nesse processo, a IA não substitui o professor, mas amplia sua presença e ajuda o aluno a manter uma jornada de estudo mais contínua.

Resumos automatizados, envio pelo WhatsApp, áudio com a voz do professor, flashcards e cronogramas personalizados indicam uma nova fase do EAD

A inteligência artificial começa a transformar uma das maiores dificuldades da educação a distância: manter o aluno estudando, revisando e avançando mesmo fora do ambiente tradicional de aula. Depois de anos em que plataformas EAD funcionaram principalmente como espaços para videoaulas e materiais complementares, o setor passa a incorporar recursos mais inteligentes, capazes de acompanhar a jornada do estudante e criar novas formas de reforço da aprendizagem.

Na prática, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio à produção de conteúdo e passa a atuar diretamente na rotina do aluno. Entre as aplicações que ganham espaço estão resumos automatizados de aulas, envio de materiais pelo WhatsApp, geração de áudios com a voz do professor, criação de flashcards personalizados e cronogramas de estudo definidos automaticamente de acordo com a necessidade de cada estudante.

O movimento ocorre em um cenário de avanço da educação digital e de maior familiaridade dos estudantes com ferramentas de inteligência artificial. No Brasil, a pesquisa TIC Educação 2024, do Cetic.br/NIC.br, aponta que 70% dos alunos do Ensino Médio já utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa em pesquisas escolares. O mesmo levantamento mostra que apenas 32% desses estudantes dizem ter recebido orientação nas escolas sobre como usar essas tecnologias.

Para Lucas Sandrini, CEO da Dottatec, empresa de tecnologia especializada em plataformas para educação a distância, o desafio agora é transformar o uso espontâneo da inteligência artificial em uma jornada educacional mais estruturada.

“O aluno já usa inteligência artificial para pesquisar, resumir e tirar dúvidas. A questão é como trazer isso para dentro de uma experiência de aprendizagem organizada, com conteúdo confiável, acompanhamento e intencionalidade pedagógica”, afirma Sandrini.

No ensino a distância, esse ponto ganha ainda mais importância. Muitas vezes, o aluno assiste à aula em um momento, tenta revisar depois e sente falta de apoio entre uma etapa e outra do curso. Com a IA, plataformas educacionais podem criar uma camada contínua de acompanhamento, oferecendo resumos, lembretes, materiais de revisão e sugestões de estudo no momento em que o estudante mais precisa.

Um exemplo dessa aplicação já aparece no curso online Chama o Físico, do professor de física Thales Rodrigues. A iniciativa utiliza recursos de inteligência artificial para gerar resumos automatizados, materiais de apoio, flashcards e cronogramas de estudo personalizados para cada aluno. A proposta é ajudar o estudante a organizar melhor o tempo, revisar conteúdos importantes e manter uma sequência de estudos mais adequada ao seu ritmo.

Para professores que atuam no ambiente digital, a personalização pode ser um diferencial relevante. Em vez de entregar a mesma orientação para todos, a IA permite que o estudante receba uma jornada mais ajustada ao seu desempenho, aos conteúdos estudados e aos objetivos de aprendizagem.

“A IA ajuda a transformar o estudo online em uma jornada mais guiada. O aluno não recebe apenas a aula, mas também um caminho de revisão, organização e prática de acordo com sua necessidade”, afirma Thales Rodrigues.

Um dos caminhos mais promissores está na automatização de resumos. A partir de uma videoaula, a inteligência artificial pode gerar uma versão resumida do conteúdo, destacar os principais pontos abordados pelo professor e organizar o material em tópicos de estudo. Quando esse conteúdo é enviado pelo WhatsApp, o aprendizado se aproxima ainda mais da rotina do aluno.

“A educação a distância não pode depender apenas de o aluno lembrar de entrar na plataforma. A tecnologia precisa estar mais próxima da rotina dele. Se o aluno está no WhatsApp todos os dias, faz sentido que parte da experiência de aprendizagem também chegue até ali, de forma organizada e responsável”, afirma Sandrini.

Outro recurso em expansão é a geração de áudio com a voz do professor. Com autorização e uso responsável da tecnologia, resumos e materiais de revisão podem ser convertidos em narrações que preservam a identidade vocal do docente. Para o aluno, isso cria uma experiência mais familiar e próxima, especialmente em momentos de deslocamento, revisão rápida ou estudo complementar.

Os flashcards automatizados também ganham espaço como ferramenta de fixação. A partir do conteúdo de uma aula, a IA pode identificar conceitos centrais e transformá-los em cartões de estudo com perguntas e respostas curtas. Esse formato favorece a revisão rápida e ajuda o aluno a retomar pontos importantes sem precisar reassistir à aula completa.

Na avaliação de Diego Sanches, CTO da Dottatec, a aplicação da IA no ensino a distância precisa resolver problemas concretos, como engajamento, retenção e personalização.

“A IA só gera valor quando resolve problemas reais. No EAD, ela precisa ajudar o aluno a estudar melhor, o professor a produzir com mais eficiência e a instituição a acompanhar resultados com mais inteligência”, afirma Sanches.

Segundo ele, a integração técnica é essencial para que essas soluções funcionem de forma simples. A inteligência artificial precisa entender o contexto da aula, o conteúdo do curso e a jornada do aluno para entregar materiais úteis, e não apenas respostas genéricas.

“Não adianta ter inteligência artificial isolada da plataforma. O valor aparece quando a IA está integrada ao conteúdo, ao histórico do aluno e ao objetivo pedagógico. É essa integração que transforma tecnologia em experiência de aprendizagem”, destaca Sanches.

Apesar do potencial, o uso da inteligência artificial na educação a distância exige cuidados. Privacidade de dados, qualidade dos conteúdos gerados, autorização para uso da voz do professor, transparência e revisão humana dos materiais estão entre os principais pontos de atenção.

A geração automática de resumos, por exemplo, precisa passar por critérios de qualidade. Uma explicação simplificada demais, uma orientação inadequada ou um material gerado sem contexto podem comprometer a aprendizagem. Por isso, especialistas defendem que a IA funcione como apoio ao processo educacional, e não como substituta da curadoria pedagógica.

A tendência é que a IA passe a influenciar cada vez mais a experiência do aluno no EAD. Em vez de jornadas lineares e iguais para todos, os cursos tendem a se tornar mais adaptativos, com materiais de apoio, resumos, revisões e cronogramas ajustados ao ritmo de cada estudante.

Mais do que uma ferramenta de automação, a IA representa uma nova camada de inteligência sobre a educação a distância. Ela pode transformar videoaulas em dados de uso em ações pedagógicas mais precisas.

A educação a distância entra, assim, em uma nova fase. Depois de digitalizar o acesso ao ensino, o desafio agora é tornar a experiência mais inteligente, personalizada e conectada à rotina do estudante. Nesse processo, a inteligência artificial tende a ocupar um papel central — não para substituir professores, mas para ampliar sua presença, organizar o estudo e aproximar o aluno do conhecimento de forma mais contínua.

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