Nos últimos 2 anos, mais de seis milhões de pessoas passaram a estar conectadas à internet no Brasil. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), desenvolvida pelo IBGE, que também revelou que nove em cada dez brasileiros estão online.
Há nove anos, quando o levantamento começou a ser realizado, apenas dois terços da população tinham acesso à rede. Dessa forma, o avanço acelerado da inclusão digital também redefine parâmetros de oferta e atendimento para operadoras em todo o país.
Aumento de consumo indica mudanças no perfil do consumidor
Em 2024, a internet chegou a 75 milhões de domicílios brasileiros. Conforme o IBGE, esse avanço está diretamente relacionado às políticas públicas do Ministério das Comunicações, que reduziram barreiras de conectividade. Entre as iniciativas estão:
- Editais de 4G e 5G voltados à expansão da cobertura em municípios, estradas e áreas remotas;
- Programa Wi-Fi Brasil, que leva banda larga gratuita a comunidades vulneráveis;
- Iniciativa Internet Brasil, que oferece chips com pacote de dados gratuito para estudantes da rede pública.
Com mais pessoas conectadas, o nível de exigência também cresce. A ampliação da cobertura eleva a demanda por atendimento mais ágil e redes mais eficientes, ajustadas ao ritmo de consumo digital do brasileiro.
Uma pesquisa da Gazeta do Povo, por exemplo, mostra que a qualidade do sinal e o preço são os principais critérios na escolha de um plano de celular, reforçando que o serviço precisa corresponder às expectativas do consumidor.
Como a demanda impacta empresas de telecomunicações
O aumento da conectividade amplia oportunidades, mas também impõe desafios operacionais. As empresas do setor têm investido em infraestrutura e novas tecnologias para acompanhar o crescimento do tráfego de dados e garantir estabilidade.
Além disso, cresce a pressão por planos mais flexíveis, comunicação clara e suporte técnico capaz de resolver problemas com rapidez.
De acordo com uma análise da NIO, empresa que atua no setor de telecomunicações, os principais fatores para medir a qualidade da internet oferecida incluem:
- Latência, que determina o tempo de resposta da rede e influência experiências como jogos online e videoconferências;
- Consistência do sinal, essencial para evitar interrupções, sobretudo em áreas de grande circulação;
- Capacidade de banda, responsável por manter o desempenho mesmo em horários de pico;
- Velocidade de upload e download, que afeta desde o streaming até o envio de arquivos corporativos;
- Cobertura real, que considera a performance efetiva em diferentes regiões da cidade.
Com esses elementos cada vez mais presentes no dia a dia do consumidor, especialistas apontam que as operadoras precisam alinhar investimentos à demanda, reforçar suas redes e ampliar o uso de dados para antecipar necessidades.
Tendências e panorama para os próximos anos
Nos próximos anos, o setor de telecomunicações deve passar por um ciclo de modernização. A expansão da conectividade tende a impactar tanto a infraestrutura quanto o comportamento dos usuários.
A pressão por maior qualidade deve estimular novos modelos tecnológicos, capazes de aprimorar a experiência do usuário. Do ponto de vista operacional, as empresas terão de equilibrar expansão e eficiência.
Entre as principais tendências apontadas por especialistas estão:
- Fibra óptica de nova geração: velocidades superiores a 10 Gbps e maior estabilidade para aplicações domésticas e corporativas;
- Crescimento do 5G: ampliação da cobertura e novas aplicações na indústria, no agronegócio e em cidades inteligentes;
- Internet inteligente: uso de IA e machine learning para otimizar redes, detectar falhas e personalizar serviços;
- Internet das Coisas (IoT): expansão de dispositivos conectados em residências, transporte, comércio e setores produtivos;
- Sustentabilidade: redes mais eficientes, menor consumo energético e descarte responsável de equipamentos.
Com uma população mais conectada, o setor deve continuar em expansão. O desafio das operadoras será transformar acesso em qualidade e garantir que a evolução tecnológica acompanhe o ritmo e as expectativas do consumidor brasileiro.
Alcindo Batista de Almeida 21973053009 [email protected]
